Crítica | Batman Cidade Moribunda
- Iuri Biagioni Rodrigues

- 7 de ago.
- 3 min de leitura
A conclusão moribunda da fase de Chip Zdarsky
Por: Iuri Biagioni Rodrigues

Contém spoilers!
Batman Cidade Moribunda é o último arco da fase comandada pelo roteirista canadense Chip Zdarsky, publicado originalmente nas edições 153 a 157 do quinto volume da revista do Cruzado Encapuzado. Os desenhos são do espanhol Jorge Jiménez, do italiano Carmine Di Giandomenico, do catalão Jorge Fornés e do estadunidense Tony S. Daniel, com cores do espanhol Tomeu Morey. No Brasil, a história foi publicada em cinco volumes pela editora Panini nos números 1 a 5 da sexta série do Batman. A tradução é de Diogo Prado.

Em Cidade Moribunda, somos apresentados a uma Gotham repleta de transformações. Vemos um Charada aparentemente são atuando como um empresário de sucesso, o imortal Vandal Savage trabalhando como comissário de polícia, James Gordon está afastado da corporação e vivendo um relacionamento clandestino com Koyuki, esposa do prefeito Chris Nakano, além de uma crescente agitação social motivada pelo descontentamento popular com os magnatas locais, incluindo acusações de que Bruce Wayne é um comunista enrustido. Soma-se a isso o surgimento de um novo vigilante nas ruas: o Comandante Estrela.


Nesse cenário conturbado, Batman enfrenta diversos desafios e, como Bruce Wayne, precisa lidar com a aparição de um suposto irmão, alegadamente fruto de um relacionamento extraconjugal de Thomas Wayne, que recorre à Justiça exigindo parte da herança da família. Novamente, surge a ideia de alterar a história dos pais do protagonista, especialmente com um elemento que nada acrescenta.
A trama apresenta aspectos interessantes, como a desigualdade social em Gotham, a corrupção empresarial e um tom mais detetivesco para o Batman. No entanto, perde-se ao tentar escalonar diversos eventos, personagens e reviravoltas que não funcionam. Zdarsky busca convencer o leitor de que sua narrativa é intensa, detalhada e inteligente, mas o resultado é raso e enfadonho. Para piorar a situação, o roteirista conclui a história de maneira muito apressada, impedindo que o público absorva os acontecimentos com a devida calma.
Cidade Moribunda também envolve uma conspiração envolvendo o Charada, que finge estar agindo dentro da lei para adquirir as Empresas Wayne e manipula a tecnologia do Chapeleiro Louco para incriminar Gordon de assassinato. Além disso, o famoso vilão negocia com Leonid kull, atual líder da sociedade secreta Corte das Corujas. Nesse ponto, começa outro problema: a Corte está sob comando russo e planeja transferir arquivos e informações importantes para o leste europeu, o que poderia prejudicar os Estados Unidos e outras economias do Ocidente. Parece um acontecimento de histórias lançadas durante a Guerra Fria… e que nem mesmo naquela época teria qualidade. Após essa péssima revelação, descobrimos que o vilão KGBesta disfarçado de Comandante Estrela, em mais uma reviravolta mal construída e frustrante.

Se o roteiro de Zdarsky deixa a desejar, o trabalho artístico da equipe de desenhistas é ótimo, destacando-se como a melhor coisa da obra. Apesar do revezamento entre artistas, a qualidade geral se mantém consistente. Os desenhistas criam páginas dinâmicas, facilitando o ritmo de leitura. Além disso, eles trabalham muito bem com as expressões faciais dos personagens e seus sentimentos. As cenas de ação transmitem bem a sensação de movimento e a intensidade dos combates, enquanto as onomatopeias são utilizadas de maneira criativa. A colorização de Tomeu Morey também é competente, valorizando os traços, preenchendo os espaços e trabalhando adequadamente com luz, sombra e com as explosões.

Em síntese, Cidade Moribunda é uma história esquecível, marcada por decisões criativas bastante questionáveis, subtramas dispensáveis e dramas pessoais envolvendo personagens como Jim Gordon e Thomas Wayne que se mostram extremamente desnecessários. Recomendo a leitura somente para fãs que desejam iniciar a coleção pensando na fase de Matt Fraction, que começa no número 7 publicado pela Panini.
Para quem só se importa com números:
Nota = 4/10
Dados da HQ:
Título original:The Dying City
Roteiro: Chip Zdarsky
Arte:Jorge Jiménez (Nº 153 e 157), Carmine Di Giandomenico (Nº154), Jorge Fornés (Nº155) e Tony S. Daniel (Nº 156)
Cores: Tomeu Morey
Editora original: DC Comics
Editor original:Rob Levin
Editora no Brasil: Panini
Tradução: Diogo Prado
Adaptação: Isabel Ferreira
Letras: Valéria Calipo
Editora no Brasil: Marília Beatriz
Editor assistente: Arthur Marchetto





Comentários