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Crítica | Rio de Sangue (2026)

  • Foto do escritor: Igor Biagioni Rodrigues
    Igor Biagioni Rodrigues
  • 16 de abr.
  • 2 min de leitura

Busca Implacável no Pará!

Por Igor Biagioni Rodrigues

Rio de Sangue
Créditos da imagem: Divulgação

Existem filmes cuja temática é mais interessante do que o próprio longa. Esse é o caso de Rio de Sangue.


Rio de Sangue é um thriller policial dirigido por Gustavo Bonafé e estrelado por Giovanna Antonelli no papel de Patrícia Trindade, uma policial afastada após uma operação que terminou em desastre. Marcada por esse passado e ameaçada pelo narcotráfico, ela deixa São Paulo e se refugia no Pará, tentando não apenas escapar do perigo, mas também reconstruir sua relação com a filha, Luiza (Alice Wegmann).


Luiza, médica engajada em causas humanitárias, atua em uma ONG que presta atendimento a comunidades indígenas na região do Alto Tapajós. A situação se agrava quando ela é sequestrada por garimpeiros durante uma missão, colocando sua vida em risco. Diante disso, Patrícia é obrigada a retomar sua postura de policial e enfrentar as forças violentas que controlam a área. Sua busca pela filha se transforma em uma intensa corrida contra o tempo, na qual coragem, determinação e instinto materno são levados ao extremo, em meio a um cenário hostil, marcado por tensão constante e reviravoltas.


Rio de Sangue
Cena de "Rio de Sangue" — Foto: Bárbara Vale

Como já disse no subtítulo desta crítica, o longa funciona como um Busca Implacável ambientado no Pará, pois segue à risca os moldes e clichês dos filmes de vingança, como o clássico estrelado por Liam Neeson: protagonista durona, suspense frenético, cenas de ação, tiroteios, lutas violentas, sangue, temática sombria e uma profundidade rasa. Além disso, o roteiro recorre frequentemente a soluções fáceis para conduzir a narrativa do ponto A ao ponto B, sendo também excessivamente expositivo, subestimando a inteligência do espectador. Soma-se a isso uma narração em off que tenta conferir um tom poético, mas que acaba prejudicando a imersão ao indicar ao público o que sentir em determinadas cenas.


Ainda assim, há pontos positivos. A atuação de Giovanna Antonelli merece destaque: mesmo com uma personagem limitada em termos de complexidade, ela consegue sustentá-la com competência, inclusive nas sequências de ação, algo interessante por fugir de seu habitual escopo de atuação. Também vale mencionar Antonio Calloni e Felipe Simas, que interpretam Polaco e Baleado, respectivamente. Embora caricatos, seus personagens ganham algum carisma graças às performances dos atores.


Rio de Sangue
Cena de "Rio de Sangue" — Foto: Bárbara Vale

Outro aspecto relevante é a presença de atores indígenas na produção, especialmente Fidelis Baniwa, uma espécie de “Rambo amazônico” que, em muitos momentos, rouba a cena e se aproxima do verdadeiro protagonismo do filme. Soma-se a isso o uso de locações reais no Pará, afastando-se do eixo Rio-São Paulo tão recorrente no cinema nacional, o que contribui para uma fotografia interessante, sobretudo nos momentos mais contemplativos diante da paisagem natural.


Em suma, Rio de Sangue entretém, mas o elemento mais instigante diante de sua superficialidade é a temática do garimpo ilegal na Amazônia, uma discussão potente que, infelizmente, acaba não sendo explorada com a profundidade que merecia.


Para quem só se importa com números:

Nota- 5/10.


Ficha Técnica:

Título Original: Rio de Sangue

País de Origem: Brasil

Roteiro: Felipe Berlinck e Dennison Ramalho

Direção: Gustavo Bonafé

Duração: 106 min.

Classificação: 16 anos.


Elenco:

Giovanna Antonelli

Alice Wegmann

Sérgio Menezes

Felipe Simas

Antonio Calloni

Ravel Andrade

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