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Crítica | Mestres do Universo (2026)

  • Foto do escritor: Igor Biagioni Rodrigues
    Igor Biagioni Rodrigues
  • 5 de jun.
  • 4 min de leitura

Galhofa das boas!

Por Igor Biagioni Rodrigues

Mestres do Universo
Créditos da imagem: Amazon MGM Studios

Criado pelo designer Mark Taylor a partir de desenhos que fazia na infância, He-Man surgiu durante o desenvolvimento de uma nova linha de bonecos da Mattel. O projeto foi refinado por Roger Sweet, que sugeriu o nome do personagem e apresentou diferentes versões do herói, sendo a de um guerreiro bárbaro a escolhida como visual definitivo. O sucesso do personagem foi impulsionado pela série animada He-Man e os Mestres do Universo, que se transformou em um fenômeno dos anos 1980, alcançando milhões de espectadores nos Estados Unidos, sendo exibida em dezenas de países e impulsionando significativamente as vendas dos brinquedos da Mattel.


Sim, He-Man surgiu como um brinquedo. Então, como revitalizar uma franquia fazendo um filme baseado em um boneco? Brincando com ele, ora. A escolha era simples: ou a produção optava por trazer o mundo de Eternia em uma abordagem séria e de dark fantasy (como fez a animação de Kevin Smith) ou abraçava a galhofa e a cafonice que He-Man, seus personagens e seu universo naturalmente pedem. Felizmente, a escolha foi a segunda.


Dirigido por Travis Knight ("Kubo e as Cordas Mágicas" e "Bumblebee"), "Mestres do Universo" acompanha o retorno de Adam (Nicholas Galitzine), que, após quase duas décadas separado da Espada do Poder, finalmente recupera sua ligação com o lendário artefato. De volta a Eternia, seu mundo natal, ele se vê diante de uma grande ameaça: o temível Esqueleto (Jared Leto) está determinado a levar destruição ao reino. Para impedir seus planos, Adam precisará desvendar segredos de seu passado, enfrentar seus próprios medos e contar com o apoio de aliados como Teela (Camila Mendes) e Duncan, o Homem-de-Armas (Idris Elba). Em sua jornada, ele deverá aceitar seu verdadeiro destino e assumir plenamente o papel de Salvador de Eternia.


Esqueleto He-Man
Créditos da imagem: Amazon MGM Studios

Convenhamos: He-Man é genérico. Sua concepção nasceu com o objetivo de vender brinquedos, misturando elementos de bárbaros como Conan, heróis como Capitão Marvel (Shazam) e mundos de espada e feitiçaria inspirados em Dungeons & Dragons. Além de genérico, é cafona. Afinal, estamos falando de um bárbaro de cabelo chanel e tanguinha, enfrentando um vilão sem grandes motivações além de ser mau, e que, pasmem, tem cara de esqueleto e se chama Esqueleto. Por mais bobo que tudo isso possa parecer, foi justamente essa combinação que fez o personagem atravessar gerações e continuar relevante mais de quarenta anos depois de sua criação, seja por meio de novas produções ou dos excelentes memes que circulam pela internet.


Por isso, quando esse novo live-action de Mestres do Universo foi anunciado e divulgado por meio de trailers de qualidade duvidosa, e sem indicar uma proposta temática mais sofisticada como a desenvolvida por Greta Gerwig e Noah Baumbach em Barbie, minhas expectativas se resumiam a uma única esperança: que o filme não tentasse se levar a sério.


Nos primeiros minutos, porém, essa não parece ser a direção escolhida. Felizmente, conforme a trama avança, o longa abraça de vez uma vertente humorística e satírica autoconsciente. Somada à excelente trilha sonora de Daniel Pemberton ("Homem-Aranha no Aranhaverso" e "Devoradores de Estrelas"), a um elenco carismático e a um ótimo timing cômico (com Jared Leto entregando, na minha visão, uma de suas melhores interpretações e se tornando o grande coração do filme), essa abordagem faz com que a experiência seja genuinamente divertida.


Sabendo que se trata de um blockbuster moldado pela lógica da Indústria Cultural, com a missão de agradar tanto aos fãs antigos; por meio de inúmeras referências, participações especiais e três cenas pós-créditos; quanto de atrair novos espectadores, a decisão de seguir por um caminho mais leve e autodepreciativo mostra-se bastante acertada.Isso não significa, porém, que o longa seja um exemplo de excelência narrativa. Mestres do Universo está longe de apresentar uma coesão dramática consistente ou um roteiro particularmente elaborado. O CGI oscila bastante em qualidade, algumas sequências de ação são confusas e, em determinados momentos, a fisicalidade dos personagens se perde em meio ao excesso de computação gráfica.


Mestres do Universo
Créditos da imagem: Amazon MGM Studios

Porém, outro aspecto que merece destaque é a forma como He-Man é retratado. Surgido em uma época em que animações desse tipo eram frequentemente classificadas como “desenhos para meninos”, o personagem acabou sendo interpretado, ao longo dos anos, também sob uma ótica homoerótica. Seja pela transformação do príncipe Adam em He-Man, pela dinâmica de identidade dupla ou simplesmente pela estética baseada em homens extremamente musculosos se enfrentando, essa leitura sempre esteve presente em parte da recepção da obra.Trata-se de uma interpretação que costuma incomodar alguns fãs mais apegados à ideia de personagens “brucutus”, símbolos de uma masculinidade hiperperformática e carregada de testosterona.


Curiosamente, este novo filme subverte essa concepção de maneira bastante inteligente, A masculinidade não é definida pelo quanto você consegue levantar no supino, mas pela capacidade de enfrentar seus medos, assumir responsabilidades e proteger aqueles que ama. Sua verdadeira força vem de dentro!


he-man meme

Gostaram desse final de crítica à la encerramento de episódio de He-Man? Hehe.


Para quem só se importa com números:

Nota- 6/10.


Ficha Técnica:

Título Original: Masters of the Universe

País de origem: Estados Unidos

Roteiro: Chris Butler, Aaron Nee, Adam Nee, David Callaham

Direção: Travis Knight

Classificação: 14 anos.

Duração: 140 min.


Elenco:

Nicholas Galitzine

Camila Mendes

Alison Brie

James Purefoy

Morena Baccarin

Jóhannes Haukur Jóhannesson

Kristen Wiig

Jared Leto

Idris Elba

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