Crítica | O Diabo Veste Prada 2 (2026)
- Igor Biagioni Rodrigues

- 4 de mai.
- 3 min de leitura
Atualizado: 4 de mai.
Estiloso e confortável
Por Igor Biagioni Rodrigues

Confesso que, quando a sequência de O Diabo Veste Prada foi anunciada, fiquei extremamente cético com o que poderia vir, mas não muito surpreso. Convenhamos: infelizmente, vivemos em um cenário em que produções de sucesso são esticadas ao máximo, e os executivos dos estúdios fazem com que elas não tenham um fim, muitas vezes criando verdadeiras franquias zumbis que não acrescentam em nada; pelo contrário, apenas diluem a essência do original. Mas, já que essas sequências são inevitáveis, que sejam feitas com uma mínima decência, como é o caso de O Diabo Veste Prada 2.
Vinte anos após deixar a Runway, Andy Sachs (Anne Hathaway) realiza o sonho de se tornar uma jornalista investigativa renomada, mas vê sua carreira ruir ao ser demitida de forma abrupta em meio à crise do jornalismo, situação que a leva a viralizar após um discurso contundente. Paralelamente, Miranda Priestly (Meryl Streep) enfrenta um escândalo que ameaça a credibilidade da revista. Nesse cenário, Andy recebe uma proposta inesperada para retornar à Runway e ajudar a restaurar sua reputação, reencontrando Miranda e antigos aliados enquanto precisa lidar com novos jogos de poder no competitivo mundo da moda.

O filme se insere em um contexto de profundas transformações no mercado editorial e jornalístico, explorando a ansiedade das redações diante da migração para o digital, das demissões em massa e da crescente ameaça da inteligência artificial. Algo bastante presente na realidade, e até irônico, considerando que a própria Disney (lembrando que o longa é da 20th Century, que por sua vez pertence à empresa) tem enfrentado questões semelhantes recentemente.
Se o longa se mostra assertivo como continuação, isso vai além de um roteiro competente com uma trama relativamente interessante, e se dá principalmente graças às atuações e às relações entre os personagens. O retorno do elenco é o grande ponto positivo: a dinâmica entre Meryl Streep, Anne Hathaway, Emily Blunt e Stanley Tucci preserva a química do primeiro filme, ao mesmo tempo em que apresenta personagens que evoluíram profissionalmente ao longo dessas duas décadas.
Outro destaque são as músicas que, embora não tenham o mesmo impacto marcante do original nem estejam inseridas em montagens tão icônicas, funcionam bem dentro da proposta narrativa. O mesmo vale para a participação de Lady Gaga, que surge de forma interessante e coerente com o universo do filme.

Claro que o filme não é perfeito. Ele não se aprofunda totalmente nas questões que levanta, embora também não seja exatamente o tipo de produção que se proponha a isso. Além disso, há muitos acontecimentos resolvidos ou apresentados de maneira rápida, mas nada que comprometa a experiência a ponto de torná-la negativa.
É reconfortante ver uma sequência que não se apoia exclusivamente em uma nostalgia excessiva, reutilizando falas e situações, ainda que esse elemento (a nostalgia) esteja presente. O filme se sustenta, sobretudo, na química do elenco e na introdução de uma nova história, em que a moda, embora ainda essencial, divide espaço com o colapso do jornalismo contemporâneo, tudo isso tratado de forma leve e carismática, assim como o primeiro longa abordava o venenoso mundo da moda. Sim, a produção joga no seguro, entregando uma obra confortável, mas o que David Frankel realiza aqui é raro: uma continuação estilosa, apesar de tudo.
Por fim, fica a questão inevitável: o filme rapidamente se tornou um sucesso, e não seria surpresa se a Disney anunciasse, em breve, um terceiro capítulo dessa história.
Para quem só se importa com números:
Nota- 7/10.
Ficha Técnica:
Título Original: The Devil Wears Prada 2
País de Origem: Estados Unidos
Roteiro: Aline Brosh McKenna, Lauren Weisberger
Direção: David Frankel
Classificação: 12 anos
Duração: 108 min.
Elenco:
Meryl Streep
Anne Hathaway
Emily Blunt
Stanley Tucci
Adrien Grenier
Daniel Sunjata
Justin Theroux
Kenneth Branagh
Lucy Liu
Pauline Chalame,
TracieThoms
B.J. Novak






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