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Crítica | O Diabo Veste Prada (2006)

  • Foto do escritor: Igor Biagioni Rodrigues
    Igor Biagioni Rodrigues
  • 30 de abr.
  • 3 min de leitura

Estética publicitária e musical e o venenoso mundo da moda em um clássico moderno

Por Igor Biagioni Rodrigues

O Diabo Veste Prada
Créditos da Imagem: Divulgação.

O que é um clássico? De acordo com o dicionário, pode ser definido como algo que segue ou está de acordo com os cânones ou usos estabelecidos; algo que serve como modelo ou referência, exemplar. É por isso que afirmo, com tranquilidade, que O Diabo Veste Prada, adaptação do livro homônimo de Lauren Weisberger, dirigida por David Frankel e com roteiro de Aline Brosh McKenna, é um clássico moderno da cultura pop. Isso se deve à sua narrativa, que, a princípio, parece simples, mas vai além dos clichês hollywoodianos, funcionando como uma crítica ao venenoso mundo da moda. Seus personagens são extremamente carismáticos e ganham força graças às atuações, além de uma composição imagética que se destaca por si só.


Andrea Sachs (Anne Hathaway) é uma jovem que conquista uma vaga na Runway Magazine, uma das revistas de moda mais influentes de Nova York. Lá, assume o cargo de assistente de Miranda Priestly (Meryl Streep), a poderosa executiva da publicação (um claro alter ego de Anna Wintour, antiga editora da Vogue estadunidense). Embora seja uma oportunidade dos sonhos para muitos, Andrea rapidamente percebe que lidar com Miranda está longe de ser uma tarefa simples.


Muito mais do que uma comédia, o filme levanta questões relevantes. Miranda é uma chefe cruel ou uma mulher forte ocupando um espaço tradicionalmente masculino, cujo comportamento seria naturalizado em um homem? E Andrea, até que ponto pode se adaptar às exigências desse meio sem perder sua identidade? A obra reflete sobre ambição, escolhas e o desafio de conciliar diferentes mundos, lembrando que o sucesso profissional não é um erro, mas exige consciência sobre o que se está disposto a sacrificar.


O Diabo Veste Prada
"O Diabo Veste Prada"- Reprodução/Disney.

Isso evidencia que toda escolha implica renúncias e que há um grande desafio em encontrar equilíbrio entre vida profissional, pessoal e social. A trajetória de Andy revela um conflito entre ambição e valores, mostrando que o sucesso cobra um preço e exige clareza sobre prioridades, limites e o que realmente importa. Ao mesmo tempo, o filme convida à reflexão sobre autoconhecimento, adaptação e coragem para assumir novos desafios, sem perder de vista quem se é e as relações que sustentam esse caminho.


Analisando a questão imagética mencionada anteriormente, é fácil relacionar sua construção visual e estética a clipes musicais. Isso se deve à montagem ágil e ao uso de músicas pop que ajudaram a eternizar diversas cenas, passando por “Suddenly I See”, de KT Tunstall, até “Vogue”, de Madonna. Além disso, os figurinos de Patricia Field fazem com que o universo luxuoso da moda ganhe vida na tela com enorme impacto visual.


O longa também se relaciona diretamente com a lógica das campanhas publicitárias porque, ao mesmo tempo em que revela os bastidores da construção de valor no mundo da moda (exemplificado pelo famoso discurso do “azul cerúleo”, que mostra como tendências são criadas e difundidas), também funciona como uma vitrine de marcas reais inseridas de forma orgânica na narrativa. Além disso, o próprio filme se comporta como uma grande ação de marketing, utilizando estratégias semelhantes às do mercado publicitário, como parcerias, colaborações e experiências de marca. Dessa forma, a obra não apenas retrata a publicidade, mas a pratica, reforçando a ideia de que estética, desejo e consumo são elementos centrais tanto no cinema quanto nas campanhas publicitárias.


O Diabo Veste Prada
"O Diabo Veste Prada"- Reprodução/Disney.

Em suma, O Diabo Veste Prada permanece atual justamente por equilibrar entretenimento e crítica com precisão. Ao mesmo tempo em que seduz o espectador com sua estética sofisticada e ritmo envolvente, expõe as contradições de um universo pautado pela aparência e pelo poder. É um filme que diverte, provoca e convida à reflexão, qualidades essenciais que justificam seu status de clássico moderno.


Para quem só se importa com números:

Nota- 10/10.


Ficha Técnica:

Título Original: The Devil Wears Prada

País de Origem: Estados Unidos

Roteiro: Alinne Brosh Mckenna baseado no livro de Lauren Weisberger

Direção: David Frankel

Duração: 109 min.

Classificação: 12 anos.


Elenco:

Meryl Streep 

Anne Hathaway

Emily Blunt

Adrien Grenier

Stanley Tucci

Daniel Sunjata

John Rothman

Simon Baker

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