Crítica: Adeus, Eri
- Iuri Biagioni Rodrigues

- 6 de jan.
- 3 min de leitura
Um excelente mangá de Tatsuki Fujimoto!
Por: Iuri Biagioni Rodrigues

Adeus, Eri (no original, Sayonara Eri) foi lançado inicialmente no Japão, em formato digital, no site Shōnen Jump+ em abril de 2022 e, posteriormente, em versão impressa em julho do mesmo. No Brasil, o mangá fui publicado em julho de 2024 pela editora Panini com tradução de Felipe Monte.
A obra de Tatsuki Fujimoto, um dos principais mangakás da atualidade, é um one-shot, ou seja, um mangá de volume único. Nele, acompanhamos o jovem Yuuta, que ganha um celular de aniversário. Após abrir o presente, sua mãe, que está no estágio final de uma doença grave, pede para que ele a filme constantemente, reunindo o conteúdo em um filme caso ela venha a óbito, deixando o material como memória.

Yuuta faz o filme e exibe seu trabalho na escola. Entretanto, os colegas não gostam do que veem e ridicularizam, excluem e praticam bullying com o protagonista. Após esses acontecimentos, ele decide se suicidar pulando do hospital onde sua mãe faleceu. Antes de saltar, é impedido por uma garota misteriosa chamada Eri, que afirma ter gostado do filme apesar de seus vários problemas. Eri, grande fã e conhecedora de cinema, incentiva e auxilia Yuuta a produzir um novo longa. Ela explica para o protagonista que ele precisa assistir a muitos filmes antes de produzir um (ela está certa, mas sabemos que é preciso mais do que isso) e pede para que ele sempre escreva os pontos principais dos filmes que acabaram de assistir.

Juntos, eles decidem criar uma história semiautobiográfica, com elementos fantasiosos. Desse modo, o filme de Yuuta vai abordar elementos da sua própria vida e sua relação com Eri. Com isso, Tatsuki Fujimoto mostra a importância do processo criativo e como a arte é fruto dos sentimentos e das vivências da pessoa artista.

Conforme a trama evolui, em uma excelente jogada de roteiro, descobrimos que Eri esconde um segredo de Yuuta e, principalmente, que a ficção (o filme de Yuuta) se mistura e se confunde com a realidade (a trama principal). Pode parecer confuso para algumas pessoas, mas acho que isso funciona muito bem, pois a dúvida entre o que é real e o que é ficção é o que torna a narrativa interessante, entregando uma história dentro da história, ou seja, uma metanarrativa.
Em teoria, a história de Adeus, Eri é simples, mas a maneira de contá-la a torna complexa. Quando ficção e realidade se confundem, passamos a duvidar dos eventos narrados, das conversas e dos sentimentos dos personagens.
O mangá também aborda a questão do luto e da memória, discutindo como queremos lembrar de quem amamos e como lidamos com a morte dessas pessoas. Em seu primeiro filme, na conclusão, Yuuta coloca uma explosão no hospital em que sua mãe estava internada. Seria a fuga da realidade uma maneira de lidar com a perda? Também é interessante notar que a história ainda traz o outro lado: como os nossos entes queridos querem ser lembrados.
Quanto aos desenhos e à organização dos quadros e das páginas, vemos ideias muito criativa de Fujimoto, como o uso das vinhetas em formato retangular e na posição horizontal, simulando a proporção de uma tela. Além disso, alguns desenhos são desfocados, dando a sensação de gravação amadora; em outros casos, vemos os acontecimentos a partir do ponto de vista do protagonista. O autor também utiliza cenas repetidas para transmitir a ideia de movimento, como uma sequência de frames. Portanto, a arte de Fujimoto emula características cinematográficas, tornando a narrativa visual muito dinâmica e alinhada com a proposta de seu roteiro.

Enfim, esse mangá tem um roteiro inteligente, personagens cativantes, histórias dentro da história, ambiguidades propositais e uma excelente narrativa visual. É, também, uma bela homenagem ao cinema, uma das paixões do mangaká, e às obras de ficção.
Para quem só se importa com números:
Nota: 9/10
Dados da HQ:
Título original: Sayonara Eri
Roteiro: Tatsuki Fujimoto
Arte: Tatsuki Fujimoto
Cenários: Hanachika Toyama, Tooru Kuramori, Roni, Misaki Yoshimura, Aimi Uryu, Atsuka Yamagata, Sou Nishida e Hajime Yamamoto
Editora Original: Shōnen Jump
Editora no Brasil: Panini Comics
Editor no Brasil:
Tradução: Felipe Monteadeu
Nº de páginas: 208







Vou confessar que tenho uma certa ressalva na leitura do formato do Mangá, mas fiquei curioso! Nem só só de números, mas o 9/10 foi a cerejinha do bolo...