Crítica: Elio (2025)
- Iuri Biagioni Rodrigues

- há 3 dias
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Uma animação divertida e bonitinha, mas muito aquém do nível da Pixar de outrora
Por: Iuri Biagioni Rodrigues

Elio é o 29º filme da Pixar Animation, estúdio que pertence à Disney desde 2006 e que produziu clássicos das animações como Toy Story, Vida de Inseto, Monstros S.A., Procurando Nemo, Carros, Ratatouille, WALL-E, entre outros.
Nos últimos anos, a Pixar enfrentou dificuldades como baixa bilheteria no período da pandemia de COVID-19, conflitos de interesses com a Disney, que decidiu em lançar filmes como, Luca e Red: crescer é uma fera, diretamente no streaming, o fracasso de Lightyear, demissões de funcionários, entre outros problemas. Ademais, os filmes produzidos recentemente não receberam as melhores avaliações do público e crítica. O sucesso estrondoso de Divertidamente 2, que entrou para a lista de maiores bilheterias do cinema, indicava que as coisas voltariam a melhorar.
Entretanto, Elio, uma história original, não obteve o resultado esperado (talvez seja por isso que o estúdio prefira insistir em continuações desnecessárias, já que as novas obras não têm se destacado). O filme estreou em junho de 2025 e teve a pior estreia de um longa da Pixar até então. O resultado final da bilheteria também deixou a desejar. É preciso destacar que nem sempre o desempenho comercial reflete a qualidade de um filme, mas Elio não é grande coisa. A animação não é ruim, contudo tinha potencial para ser melhor.
Agora, vamos falar do filme em si. Elio é mais uma narrativa com a temática conhecida como coming of age, uma história que narra uma jornada de amadurecimento, um processo de transformação. Aqui, conhecemos Elio Solis, um garoto criado pela tia que se sente solitário desde que perdeu os pais. Ele deseja realizar contato com alienígenas para que eles venham buscá-lo. Para isso, utiliza um rádio adaptado com sinal de longo alcance e, em determinado momento, consegue, porém o diálogo não avança, pois o aparelho é danificado em uma briga com outros meninos.

O exército é avisado pelo ufólogo Gunther Melmac e discute o assunto. Enquanto isso, Olga, tia do protagonista e major, faz curativos no sobrinho. Ao terminar, dá uma bronca no garoto e vai para a reunião. Elio entra no salão, escuta toda conversa dos militares e, quando os soldados saem, mexe nos equipamentos, envia um sinal para o espaço e recebe uma resposta. A partir desse ponto, a relação de Elio com Olga fica conturbada. Os dois discutem e o menino acaba parando em um acampamento militar.
Nesse local, Elio é abduzido e levado para o Comuniverso, um local composto por lideranças de vários povos do universo, caracterizado pela troca cultural, tolerância, pacifismo e autogestão. Erroneamente, Elio é confundido como líder da Terra e ele decide levar essa mentira adiante. Ele quer ser aceito e fazer parte desse grupo. Para que sua ausência não seja sentida, os aliens criam um clone de Elio e o enviam para casa.
Quando tudo parece estar dando certo, o Comuniverso é atacado por Lorde Grigon, um conquistador galáctico que deseja uma cadeira no conselho, mas seus valores e prática são incompatíveis com tudo que o Comuniverso defende. Todos sentem medo de Grigon, e Elio se candidata para negociar com ele. Obviamente, isso não dá certo e o garoto terráqueo acaba preso. Em sua cela, ele conhece Glordon, o filho de Grigon. Aqui, vemos o início de uma bela amizade: Elio e Glordon, que se sentem incompreendidos e sozinhos, finalmente alguém que os entende.

Glordon é meigo, simpático, carinhoso, calmo e pacifista, ou seja, o oposto de seu pai. Entretanto, Grigon deseja que o filho seja forte, corajoso, guerreiro, imponente e dominador. Para isso, Glordon deveria passar por rito de passagem, marcado pelo ato de vestir uma armadura mortal, mas o menino não quer nada disso. Nesse aspecto, é interessante notar que o filme faz uma crítica à masculinidade tóxica, conjunto de comportamentos e normas culturais impostas aos homens, como a supressão emocional (a famosa pose de “durão”), a agressividade e a dominação. No meio desse conflito familiar, Elio tenta ajudar o amigo e os dois acabam retornando à Terra. Essa crítica social somada aos temas de solidão, amizade, pertencimento, amadurecimento e aceitação, são pontos positivos.
Todavia, quando a narrativa parece avançar para algo mais interessante e complexo, acaba tropeçando e seguindo o caminho fácil. Assim, surgem situações mais óbvias, como os líderes do Comuniverso descobrindo as mentiras de Elio, Olga percebendo que tem um clone de seu sobrinho e decidindo procurar o verdadeiro sobrinho, Grigon aceitando o desejo de seu filho muito facilmente e Elio fazendo as pazes com sua tia. Faltou coragem e ousadia para os diretores e roteiristas irem além do esperado, entregando um filme mais emotivo e sério.

No quesito técnico, a animação destaca-se pelo visual. O design dos personagens, das espaçonaves, das armas, da tecnologia e o cenário do Comuniverso é muito bem feito e muito criativo. Além disso, vemos boas referências e influências de filmes como E.T: O Extraterrestre, Contatos Imediatos do Terceiro Grau, Star Trek, O Enigma de Outro Mundo, Alien, O Oitavo Passageiro, entre outros.
Em síntese, Elio é um filme divertido que conta uma história bacana sobre amizade, amadurecimento e aceitação, mas não tem a mesma magia e profundidade dos filmes da Pixar de outrora.
Para quem só se importa com números:
Nota: 6/10
Dados do filme:
Título original: Elio
País de origem: EUA
Roteiro: Julia Cho, Mark Hammer, Mike Jones
Direção: Adrian Molina, Madeline Sharafian, Domee Shi
Classificação indicativa: Livre
Vozes originais:
Yonas Kibreab como Elio Solis
Zoe Saldana como Olga Solis
Remy Edgerly como Glordon
Brad Garrett como Lorde Grigon
Jameela Jamil como Embaixadora Questa
Brendan Hunt como Gunther Melmac
Brandon Moon como Embaixador Helix
Matthias Schweighöfer como Embaixador Tegmen
Ana de la Reguera como Embaixadora Turais
Naomi Watanabe como Embaixadora Auva
Anissa Borrego como Embaixadora Mira
Shirley Henderson como Ooooo
Dylan Gimer como Bryce
Jake Getman como Caleb
Versão brasileira:
Estúdio de dublagem: Media Access Company - SP
Direção de dublagem: Thiago Longo
Lorenzo Tironi como Elio Solis
Juliana Paiva como Olga Solis
Danylo Miazato como Glordon
Zeca Rodrigues como Lorde Grigon
Júlia Ribas como Embaixadora Questa
Marco Aurélio Campos como Gunther Melmac
Márcio Marconato como Embaixador Helix
Marcelo Pissardini como Embaixador Tegmen
Shallana Costa como Embaixadora Turais
Bruna Matta como Embaixadora Auva
Flora Paulita como Embaixadora Mira
Márcia Regina como Ooooo
Agyei Augusto como Bryce
Lorenzo Tarantelli como Caleb






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