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Crítica: Zootopia 2 (2025)

  • Foto do escritor: Iuri Biagioni Rodrigues
    Iuri Biagioni Rodrigues
  • há 2 horas
  • 4 min de leitura

Uma continuação desnecessária, mas com pontos positivos!

Por: Iuri Biagioni Rodrigues


Zootopia 2
Zootopia 2 - Créditos: divulgação

Em 2016, a Disney lançou Zootopia, um filme bastante interessante que apresentava uma metrópole habitada por diversos animais que viviam em uma aparente utopia, como indicado pelo título. A cidade de Zootopia é habitada por predadores e presas que vivem em status de igualdade. De maneira bastante interessante, a animação mostrou que nem tudo era perfeito, enfatizando desigualdades sociais e preconceitos existentes na cidade.


O filme contou a história de Judy Hopps, uma coelha que sonhava em ser policial e que precisou enfrentar desafios para conquistar seu objetivo. Ninguém acredita na protagonista, pois todos acham que uma coelha é frágil demais para atuar na polícia, já que ela não teria as habilidades, a força e a competência necessárias para exercer a profissão. Entretanto, Judy não desiste e é bastante persistente. Obviamente, no fim, ela consegue o quer (é a típica narrativa "disneyana" de conquista do sonho impossível) .


Na trama, ela é acompanhada pelo trambiqueiro Nick Wilde, uma raposa, que é o personagem mais interessante. Juntos eles precisam solucionar um mistério que está fazendo com que os animais carnívoros se comportem como feras irracionais. A história não é brilhante, mas funciona bem e termina de maneira redonda. No meu ponto de vista, uma continuação era desnecessária.


Entretanto, nove anos depois do original, Zootopia 2 chegou aos cinemas. O filme é mais uma sequência que ninguém pediu, fazendo parte da mania de Hollywood de reviver filmes e franquias em vez de criar novas histórias. Dito isso, fui assistir com pouca expectativa, na verdade, quase nenhuma. Apesar disso, fui surpreendido de maneira positiva.


Zootopia 2
Nick e Judy em cena de Zootopia 2 - Crédito: divulgação

Após o sucesso e a boa recepção do primeiro filme, a equipe criativa precisava criar algo que não fosse mais do mesmo. Assim, Zootopia 2 busca ser um longa mais ousado, mais cheio de reviravoltas e tenta ter uma trama mais complexa e madura, ao mesmo tempo em que mantém o humor e diversão do seu predecessor. Nisso, a sequência acerta em alguns momentos e falha em outros.


A animação apresenta novos personagens com destaque para a cobra Gary, a família Linceslei, a castor Nibbles Castanheira, entre outros. Também há novos elementos para a cidade dos bichos, no caso, a expansão da mitologia do local, com destaque para as origens de Zootopia. Para ser mais exato, descobrimos que a família dos linces é a mais rica e poderosa, ou seja, ela comanda a cidade. Na teoria, foi um Linceslei que fundou a metrópole.


Linceslei - Zootopia 2
Membros da família Lynxley - crédito: divulgação

Contudo, os linces construíram seu império a partir de uma mentira (não vou dizer qual para não dar spoiler) e por meio da perseguição sistematizada dos répteis, principalmente das cobras, que foram expulsas de Zootopia e viram suas casas se tornarem território dos linces. Assim, a história aborda temas como preconceito, segregação, gentrificação e revisionismo histórico. Nesse último tópico, podemos lembrar da famosa frase do livro 1984 de George Orwell "Quem controla o passado, controla o futuro. Quem controla o presente, controla o passado", pois ela diz muito sobre a prática da família Linceslei.


Apesar disso, o longa parece ficar em dúvida se aborda essas questões de maneira mais séria ou se mantém o tom mais engraçado, familiar e leve do primeiro filme. Além disso, em alguns momentos, o filme parece inflado, pois está cheio de personagens (alguns mal aproveitados), subtramas que atrapalham um pouco ou que se destoam da linha narrativa principal. Também temos algumas facilitações de roteiro em algumas partes, especialmente no final apressado.


Um ponto positivo é que a história traz novas camadas para o relacionamento dos parceiros Judy e Nick, mostrando conflitos, divergências, preocupações de um com o outro e até um certo ar de romance (acho que todo mundo percebe, mas a Disney não quer assumir). Ademais, esse filme conta com diversas referências/homenagens a outros filmes como Poderoso Chefão, Ratatouille, Iluminado, Velozes e Furiosos, entre outros. São momentos muito divertidos e bem pensados.


Gary - Zootopia 2
Gary em Zootopia 2 - Crédito divulgação

Em termos técnicos, Zootopia 2 é impecável. A animação 3D é muito bonita, expressiva, detalhada e cheia de movimento. Os cenários são muito bem elaborados, retratando vários aspectos da vida em uma grande cidade. O destaque vai para o lar dos répteis, que na minha opinião, é o lugar mais legal. Todavia, ele aparece pouco (infelizmente).


Assim, entre os erros e os acertos, Zootopia 2 consegue ser um filme divertido, apresentando uma importante mensagem sobre a defesa das minorias marginalizadas (aqui, representados pelos répteis) e sobre a reparação histórica, evidenciada pela importância da memória coletiva e da visão crítica em relação a história oficial defendida pelos poderosos. Para uma continuação que não precisava existir, o resultado final é positivo.


Para quem só se importa com números:

Nota = 7/10


Dados do Filme:

Título Original: Zootopia 2

País de Origem: Estados Unidos

Roteiro: Jared Bush

Direção: Byron Howard e Jared Bush

Duração: 108 min.

Classificação indicativa: Livre

Onde assistir: Disney Plus


Vozes originais:

Ginnifer Goodwin como Judy Hopps

Jason Bateman como Nick Wilde

Ke Huy Quan como Gary

Fortune Feimster como Nibbles

Idris Elba como Chefe Bogo

Jenny Slate como Dawn Bellweather

Quinta Brunson como Dra. Fuzzby

Patrick Warburton como Prefeito Cavalgante

Quinta Brunson como Dra. Fuzzby

Andy Samberg como Patalberto Linceslei

Macaulay Culkin como Caique Linceslei

Brenda Song como Kátia Linceslei

David Strathairn como Milton Linceslei

Danny Trejo como Jesús

Nate Torrence como Garramansa

Raymond S. Persi como Flecha

Shakira como Gazella


Versão Brasileira:

Estúdio de Dublagem: Media Access Company - São Paulo, SP

Direção de Dublagem: Rodrigo Andreatto


Monica Iozzi como Judy Hopps

Rodrigo Lombardi como Nick Wilde

Danton Mello como Gary

Samira Fernandes como Nibbles Castanheira

Ramon Campos como Chefe Bogo

Jussara Marques como Dawn Bellwether

Thaila Ayala como Dra. Fuzzby

César Marchetti como Prefeito Cavalgante

Heitor Assali como Patalberto Linceslei

Fabrício Vila Verde como Caique Linceslei

Michelle Giudice como Kátia Linceslei

Carlos Campanile como Milton Linceslei

Luiz Carlos Persy como Jesús

Rodrigo Andreatto como Garramansa

Marcelo Salcicha como Flecha

Cássia Bisceglia como Gazella


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