Crítica | F1 – O Filme (2025)
- Igor Biagioni Rodrigues

- há 4 dias
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Um filme que faz com que o esporte pareça divertido
Por Igor Biagioni Rodrigues

Confesso que não sou muito fã de Fórmula 1. O esporte não me agrada por diversos fatores: é distante do nosso dia a dia (especialmente desde a morte de Ayrton Senna), carrega uma aura elitista e, sendo bem honesto, nunca tive muita paciência para assistir carros dando voltas repetidamente em um mesmo lugar. Ainda assim, o trabalho realizado por Joseph Kosinski (diretor do excelente Top Gun: Maverick) e sua equipe é uma verdadeira propaganda do esporte, construída de maneira a torná-lo o mais empolgante possível.
Em F1 – O Filme, um experiente piloto decide sair da aposentadoria para orientar um jovem talento promissor dentro de sua equipe. A trama acompanha Sonny Hayes (Brad Pitt), uma antiga lenda das pistas que, após abandonar as competições, é convencido a retornar ao automobilismo para auxiliar Joshua Pearce (Damson Idris), o novato da escuderia fictícia ApexGP. Determinado a recolocar o time no caminho das vitórias, Sonny assume todos os riscos necessários e elabora uma estratégia ambiciosa que depende não apenas da habilidade ao volante, mas também do apoio da equipe técnica e de figuras influentes do esporte, evidenciando que a Fórmula 1 vai muito além das curvas e ultrapassagens. A produção ainda conta com a participação de pilotos reais da categoria e teve cenas gravadas durante o GP da Inglaterra.
O longa é recheado de clichês: temos a clássica narrativa de redenção e passagem de bastão, com Pitt interpretando um carismático veterano das corridas, dono de um passado problemático e em busca de uma segunda chance. Há também um romance “água com açúcar” com a engenheira Kate McKenna (Kerry Condon, de Os Banshees de Inisherin), além do jovem piloto talentoso, porém egocêntrico, que precisa aprender a trabalhar em equipe. Os dois protagonistas precisam evoluir juntos para superar desafios não apenas nas pistas, mas também na vida. Soma-se a isso um antagonista corporativista, completando o pacote tradicional das grandes produções esportivas.

Dizer que o filme é repleto de clichês, contudo, está longe de ser um demérito. Eles são bem aplicados dentro de uma narrativa que tem como principal objetivo funcionar como uma propaganda “limpa” da Fórmula 1, exaltando a essência e o espetáculo do esporte, sem se propor a expor suas controvérsias ou bastidores obscuros. E está tudo bem, especialmente considerando que o longa teve o aval da própria Fórmula 1 e nunca se vendeu como um drama investigativo ou uma denúncia corporativa.
Embora Brad Pitt entregue uma atuação carismática, tornando Sonny Hayes um personagem imediatamente simpático, o verdadeiro mérito do filme está em sua parte técnica, especialmente nas cenas de corrida, que são absolutamente eletrizantes. Os enquadramentos e a montagem colocam o espectador dentro da pista; o desenho de som nos faz sentir dentro dos carros, experimentando a velocidade extrema; e a fotografia transforma o asfalto em algo quase tátil. Soma-se a isso a fisicalidade que Kosinski imprime às sequências de ação (reafirmando como grandes blockbusters podem ser construídos de forma prática, com uso mínimo de CGI) e uma trilha sonora pulsante assinada por Hans Zimmer, que eleva cada corrida a uma experiência sensorial intensa.

No fim das contas, F1 – O Filme é um espetáculo calculado para seduzir o público e ampliar o alcance da categoria, funcionando como um grande cartão de visitas da Fórmula 1 para novos espectadores. Pode, inclusive, servir como uma poderosa ferramenta de promoção para o mercado norte-americano, especialmente em um momento em que os Estados Unidos ampliam sua presença no grid com a chegada da Cadillac na próxima temporada. Mais do que um drama esportivo, o filme é uma vitrine vibrante de um esporte que quer, e consegue, parecer irresistível.
Para quem só se importa com números:
Nota- 7/10.
Ficha Técnica:
Título Original: F1 the Movie
País de Origem: Estados Unidos
Roteiro: Joseph Kosinski, Ehren Kruger
Direção: Joseph Kosinski
Duração: 156 min.
Classificação: 12 anos
Elenco:
Brad Pitt como Sonny Hayes
Damson Idris como Joshua Pearce
Kerry Condon como Kate McKenna
Tobias Menzies como Peter Banning
Javier Bardem como Ruben Cervantes
Kim Bodnia como Kaspar Smolinski
Shea Whigham como Chip Hart
Will Merrick como Nickleby
Joseph Balderrama como Rico Fazio
Sarah Niles como Bernadette Pearce
Samson Kayo como Cash
Abdul Salis como Dodge Dowda
Callie Cooke como Jodie
Luciano Bacheta como Luca Cortez






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