top of page

Crítica | Magnum (Wonder Man)-(2026)

  • Foto do escritor: Igor Biagioni Rodrigues
    Igor Biagioni Rodrigues
  • há 2 dias
  • 4 min de leitura

A melhor série da Marvel que você não viu!

Por Igor Biagioni Rodrigues

Magnum
"Magnum"- Marvel/Disney+/Reprodução.

Dizer que as produções audiovisuais de super-heróis estão saturadas já se tornou um comentário tão desgastado quanto o próprio fenômeno que critica (ainda que não esteja errado, pelo contrário). Justamente por isso, algumas obras conseguem surpreender. É o caso de "Magnum", que me pegou de duas formas distintas: primeiro, quando a série foi anunciada “Sério que vão fazer uma série do Magnum agora?” e depois, ao assisti-la, sendo positivamente surpreendido a ponto de considerá-la uma das melhores produções da Marvel no Disney+. E isso se deve à sua narrativa inteligente, sarcástica e divertida, mas, acima de tudo, ao fato de ter muito coração.


Meu primeiro contato com o personagem Wonder Man (conhecido no Brasil como Magnum) aconteceu em 2014, quando comecei a ler quadrinhos de super-heróis de forma quase obsessiva, especialmente da Marvel. Foi no volume 4 da saudosa Coleção Histórica Marvel – Os Vingadores, publicada pela Panini em agosto daquele ano, que li pela primeira vez Vingadores #161. Magnum havia se juntado ao grupo na edição anterior e era citado com frequência. Sua primeira aparição, no entanto, ocorreu em Vingadores #9 (1964), como um vilão que aparentemente morria. Foi ali que conheci o personagem cujos padrões cerebrais foram usados na criação do Visão (ah, os quadrinhos de super-heróis!), algo que já me deixou intrigado. Essa curiosidade logo virou raiva quando ele começou um relacionamento com a Feiticeira Escarlate (curioso? Leia mais quadrinhos!). Enfim, jamais imaginaria que esse personagem ganharia uma minissérie, muito menos uma de tamanha qualidade.


Vingadores 161
Página de Vingadores #161

A trama acompanha Simon Williams, um ator que luta para se manter relevante sob a pressão implacável de Hollywood. Interpretado por Yahya Abdul-Mateen II, ele enfrenta um mercado feroz, crises emocionais constantes e o surgimento de habilidades extraordinárias que se manifestam justamente quando perde o controle psicológico. Diferente do padrão dos heróis, esses poderes se tornam um problema, algo que Simon tenta esconder para não comprometer sua carreira.


Nesse contexto turbulento, ele se aproxima de Trevor Slattery, vivido por Ben Kingsley, o antigo falso Mandarim que agora busca reconstruir sua trajetória como ator após os acontecimentos de Homem de Ferro 3. Juntos, eles se envolvem na produção de um remake de Magnum, um herói fictício dos anos 1980, dirigido pelo excêntrico e premiado Vonn Kovack. Entre bastidores caóticos, inseguranças e identidades em conflito, a série mistura sátira, drama e superpoderes para refletir sobre fama, fracasso e reinvenção em Hollywood.


Magnum
Yahya Abdul-Mateen II em 'Magnum' (2026) — Foto: Divulgação

A sensação de surpresa me acompanhou em diversos momentos da série, especialmente com Trevor Slattery, o melhor personagem da produção e um dos casos mais curiosos do MCU, interpretado magistralmente por Ben Kingsley. Sua introdução como o falso Mandarim em Homem de Ferro 3 gerou muita indignação entre fãs que se sentiram traídos pela abordagem do vilão (talvez tão ocupados reclamando que não perceberam que os Dez Anéis já existiam desde Homem de Ferro, de 2008, e que aquela versão era um plano de Aldrich Killian inspirado no Mandarim original).


Ainda assim, é fascinante acompanhar a trajetória de Trevor: de um ator falido, viciado e desesperado a ponto de interpretar um terrorista, passando pelo Marvel One-Shot Todos Saúdem o Rei (que servia para mostrar que o Mandarim de verdade realmente existia e apareceria logo mais no MCU), por Shang-Chi, até alcançar sua melhor e mais rica utilização narrativa em Magnum.


Magnum
"You'll never see me coming!" - Ben Kingsley em 'Magnum'— Foto: Divulgação / Suzanne Tenne

Kingsley está excelente no papel: confortável, carismático e podemos ver claramente o seu carinho com o personagem. Vemos sua evolução de um homem destruído para alguém que redescobre o amor pela atuação, busca honrar a memória da mãe e constrói uma amizade genuína com Simon. Durante a turnê de estreia da série, o ator afirmou a uma repórter que o segredo para atuar bem é “make the other (actor) look good” -fazer o outro brilhar- e é exatamente isso que ele faz com Yahya Abdul-Mateen II (que já viveu personagens de quadrinhos em Watchmen e como Arraia Negra em Aquaman).


Desde os primeiros minutos do piloto, entendemos quem Simon é: inteligente, esforçado, porém egocêntrico e profundamente ansioso. Tudo graças à excelente atuação de Abdul-Mateen II, que também eleva Kingsley em cena. O resultado é uma das duplas mais improváveis, e com certeza uma das melhores de todo o MCU.


Mas o grande diferencial de Magnum está justamente no fato de quase não parecer uma série de super-heróis. O universo compartilhado existe, mas como pano de fundo. O centro da narrativa é uma comédia dramática de dupla (buddy comedy) que satiriza Hollywood, seus sistemas de produção e o próprio audiovisual. A metalinguagem é afiada e extremamente bem utilizada, indo de referências claras a Midnight Cowboy até um episódio inteiro dedicado ao herói Porta ( adoro quando esses personagens de quarto escalão aparecem e fazem qualquer leitor de HQ se inclinar e apontar para a TV como o meme do DiCaprio). Episódio este que apresenta a chamada “cláusula Porta”, que impede pessoas com superpoderes de atuarem em Hollywood um detalhe muito interessante que afeta diretamente o protagonista e aprofunda o conflito central da série.


Magnum
Yahya Abdul-Mateen II em 'Magnum' (2026) — Foto: Divulgação

O único ponto realmente fraco da produção surge quando ela se lembra de que faz parte do universo tradicional de super-heróis e entrega um grande epílogo final exagerado e desnecessário. Mas fora isso, Magnum é brilhante. Como o próprio Vonn Kovack afirma, toda obra diz algo sobre o seu tempo, e Magnum diz muito sobre fama, identidade, crítica a indústria cinematográfica e o cansaço de fórmulas prontas. E faz isso com inteligência, humor e, sobretudo, alma. 


Uma pena que essa série provavelmente não terá o destaque que merece e acabará engolida por projetos gigantescos baseados em fanservice (olá, Vingadores: Doutor Destino!), mas que fique registrada como uma das experiências mais autênticas, humanas e criativas que o MCU já produziu.


Para quem só se importa com números:

Nota- 8/10.


Ficha Técnica:

País de Origem: Estados Unidos

Título Original: Wonder Man

Roteiro:Andrew Guest, Paul Welsh, Madeline Walter, Zeke Nicholson, Anayat Fakhraie, Roja Gashtili, Julia Lerman, Kira Talise

Direção: Destin Daniel Cretton, James Ponsoldt, Tiffany Johnson, Stella Meghie

Criação: Destin Daniel Cretton, Andrew Guest

Classificação: 16 anos

Duração: 267 min. (oito episódios)


Elenco:

Yahya Abdul-Mateen II

Kameron J. Meadows

Ben Kingsley

X Mayo

Zlatko Burić

Arian Moayed

Joe Pantoliano

Byron Bowers

Josh Gad

Ashley Greene

Béchir Sylvain

Olivia Thirlby

Phumzile Sitole

Lauren Weedman

Blake Robbins

Comentários


bottom of page