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Crítica | Arco (2025)

  • Foto do escritor: Igor Biagioni Rodrigues
    Igor Biagioni Rodrigues
  • 14 de mar.
  • 3 min de leitura

Atualizado: 15 de mar.

Você nunca mais verá um arco-íris da mesma maneira…

Por Igor Biagioni Rodrigues.

Arco
"Arco"- Reprodução/Neon.

A ânsia de crescer é a maior inimiga da infância, e é justamente isso que o longa francês Arco, dirigido e escrito por Ugo Bienvenu em parceria com Félix de Givry, demonstra de forma singela e bela, temperando sua narrativa com ficção científica em uma animação 2D de grande qualidade.


Em Arco, acompanhamos um garoto de 10 anos que vive no distante ano de 2932, quando a humanidade passou a habitar residências suspensas no céu após a Terra ser inundada. Incapazes de criar animais ou cultivar grandes plantações, os humanos são obrigados a buscar alimento por meio de incursões temporais. Arco sonha em conhecer dinossauros (super te entendo, amigão!), mas apenas pessoas com mais de 12 anos podem viajar no tempo. Essas viagens acontecem através de voos em arco-íris. Ao tentar realizar um voo escondido, ele acaba sendo transportado para 2075. Nesse novo tempo, conhece Iris, que o acolhe e se empenha em ajudá-lo a encontrar um meio de retornar ao seu próprio ano. Nesse universo em que os arco-íris conectam passado e futuro, viajar no tempo é mais do que uma aventura: é também uma forma de compreender verdades esquecidas sobre a Terra. À medida que a amizade entre os dois se fortalece, Arco passa a entender melhor a realidade em que Iris vive: um mundo marcado por condições climáticas extremas, no qual a humanidade depende de androides e habita redomas protetoras para sobreviver.


Arco
"Arco"- Reprodução/Neon.

Recheado de influências, de Hayao Miyazaki a Makoto Shinkai, e de Star Wars a Interestelar, o filme é visualmente deslumbrante. A animação é belíssima, com movimentos fluidos e um contraste de cores fascinante entre os diferentes tempos e personagens. Soma-se a isso o design caprichado, tanto dos robôs quanto dos humanos, além de cenários encantadores. A direção de arte de Arco é, sem dúvida, um primor.


O longa constrói um universo bastante singular. Sua força visual, por vezes, se sobrepõe à narrativa, isso é fato, mas a história, ainda que simples e pouco arriscada, conduz uma genuína jornada sobre amizade, amor e crescimento. Em sua ânsia por amadurecer, o garoto aprende, da forma mais difícil, que tudo tem seu tempo. Muitas vezes, é através dos olhos do outro que conseguimos nos compreender melhor, e é isso que Arco enxerga em Iris, e vice-versa. A independência da garota vem acompanhada de solidão, e sua liberdade não é tão recompensadora quanto parece.


A animação acerta em muitas de suas escolhas temáticas e narrativas. Por exemplo, o longa não apresenta um vilão tradicional; em vez disso, acompanha uma sucessão de acontecimentos em que o verdadeiro antagonista é a crise climática que assola o presente (2075). Ainda assim, há espaço para esperança em um futuro que, apesar das adversidades, não se mostra totalmente distópico.


Arco
"Arco"- Reprodução/Neon.

Bienvenu declarou, em entrevista ao site Omelete, que o mundo real muitas vezes parece uma ficção científica ruim, e que parte disso se deve à própria ficção científica. Por isso, caberia aos autores do gênero imaginar futuros melhores, já que o amanhã é construído a partir das escolhas que fazemos hoje. Não haveria, portanto, protagonistas mais adequados do que crianças, pois são elas a verdadeira esperança.


Em suma, a animação francesa entrega um conto divertido (sim, há cenas bastante engraçadas), reflexivo e terno sobre amizade, amor, tempo e amadurecimento , em que cada protagonista leva cor à vida do outro, tal qual um arco-íris.


Para quem só se importa com números:

Nota- 8/10.


Ficha Técnica:

Título Original: Arco

País de Origem: França, Estados Unidos e Reino Unido

Roteiro: Ugo Bienvenu, Félix de Givry

Direção: Ugo Bienvenu

Duração: 89 min.

Classificação: 10 anos


Vozes Originais:

Margot Ringard Oldra

Oscar Tresanini, Swann Arlaud

Alma Jodorowsky

Vincent Macaigne

Louis Garrel, William Lebghil

Oxmo Puccino

Sophie Mas

Ugo Bienvenu

Nathanaël Perrot


Versão Brasileira:

Estúdio de dublagem: Lexx- São Paulo, SP


Enrico Espada

Bianca Alencar

Fernando Ferraz

Douglas Monteiro

Beto Macedo

Luiz Feier Motta

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