top of page

Crítica | Super Mario Galaxy – O Filme (2026)

  • Foto do escritor: Igor Biagioni Rodrigues
    Igor Biagioni Rodrigues
  • há 3 dias
  • 5 min de leitura

Montagem, Cinema Impuro e um filme cansativo

Por Igor Biagioni Rodrigues.

Super Mario Galaxy filme
Créditos da imagem: Super Mario Galaxy: O Filme/Divulgação

Com o sucesso gigantesco do primeiro filme, era questão de tempo até que Mario ganhasse uma continuação. E longe de mim dizer que isso é algo ruim; pelo contrário, Mario possui um universo rico, divertido e extremamente cativante, que pode funcionar muito bem nos cinemas; ao menos do ponto de vista comercial. Cinematograficamente, porém, se os próximos filmes continuarem nesse nível de qualidade, servirão apenas como longas caça-níquel.


Super Mario Galaxy – O Filme é extremamente cansativo, sobretudo por conta de sua montagem frenética (ainda mais acelerada do que a do primeiro longa), aliada a uma narrativa frágil que tenta se sustentar em referências aos jogos, mas não consegue nem mesmo desenvolver adequadamente seus protagonistas.


Na trama, Mario, Luigi, Peach e Toad embarcam em uma jornada espacial após Bowser Jr. sequestrar a Princesa Rosalina, a Mãe das Estrelas, com o objetivo de libertar seu pai e dominar todas as galáxias. Expandindo o universo do primeiro filme, a história acompanha o grupo atravessando diferentes mundos e se unindo a Yoshi para enfrentar essa nova ameaça cósmica.


O primeiro longa já havia apresentado seus personagens principais de forma honesta e divertida, mas o que se vê aqui é um verdadeiro desserviço. O filme tenta dividir o protagonismo entre Mario, Luigi e Peach, mas não sabe como equilibrar esses núcleos, deixando todos dispersos. Além disso, insere inúmeros personagens apenas como referência superficial, sem função dramática, o que impede qualquer envolvimento emocional. Enquanto o primeiro filme construía bem a relação entre os irmãos, aqui essa evolução é abandonada. O mesmo vale para Peach, que poderia ter uma jornada de autodescoberta mais consistente, mas cuja promessa nunca se cumpre. Sua relação com Rosalina mal é desenvolvida, e Yoshi, por sua vez, não possui função narrativa alguma, servindo apenas como elemento “fofo” para o público (eu já o acho fofo, não precisa ficar jogando isso em tela toda hora, gente!).


Super Mario Galaxy filme
Créditos da imagem: Illumination/Nintendo

Ao final da sessão, a sensação é de exaustão. São acontecimentos em sequência, trilha sonora constantemente épica, excesso de personagens, referências aos jogos, cenas de ação, gags visuais e movimentos de câmera incessantes. A montagem não oferece um único momento de respiro. Esse ritmo acelerado reflete não apenas uma escolha estética, mas também uma tentativa clara de capturar a atenção do público-alvo (especialmente as crianças), dialogando com a forma contemporânea de consumo de conteúdo.


Nesse sentido, é inevitável pensar no impacto das redes sociais de vídeos curtos, como TikTok e Instagram, na maneira como consumimos audiovisual. Hoje, muitas vezes, a televisão se torna uma segunda tela, dividindo espaço com o celular. Esse consumo fragmentado afeta nossa capacidade de concentração em narrativas mais longas e complexas (a cada "novelinha vertical" feita por IA que eu vejo -contra a minha vontade- eu sinto que emburreço). Além disso, influencia diretamente a forma como os produtos são feitos; basta observar produções da Netflix, que frequentemente explicam tudo em cena e buscam fisgar o espectador nos primeiros minutos.


Mas o que isso tem a ver com Super Mario Galaxy – O Filme e sua montagem? (Tá vendo a ansiedade?) Tudo. Antes, porém, vale uma definição básica: montagem (ou edição) é o processo de pós-produção responsável por selecionar, organizar e ajustar os planos de uma obra audiovisual para alcançar determinado efeito; narrativo, dramático, visual ou informativo.


A montagem é essencial para o ritmo e, consequentemente, o tom de um filme. Aqui, ela é excessivamente acelerada, impedindo qualquer contemplação ou assimilação do que está sendo mostrado. Em vez de construir uma progressão narrativa sólida, o longa despeja sequências de ação e referências que parecem existir apenas para gerar discussão e reconhecimento imediato pelo público. Um exemplo claro disso é a transformação de Mario e Luigi em bebês: O que isso acrescenta ao plot geral da película além de fazer o espectador fã dos games da franquia apontar para tela tal qual o meme do DiCaprio


Princesa Rosalina Mario
Créditos da imagem: Illumination/Nintendo

Na época do primeiro filme, discutiu-se muito se ele funcionava apenas como um comercial da Nintendo; algo com o qual, particularmente, discordo. O longa anterior conseguia traduzir a jogabilidade dos games para a linguagem cinematográfica de maneira criativa e funcional. Curiosamente, os melhores momentos desta continuação são justamente aqueles em que isso volta a acontecer (poderiam ter focado mais nesse aspecto).


E aqui entramos em um ponto fundamental: a adaptação. André Bazin, um dos mais importantes teóricos do cinema e cofundador da Cahiers du Cinéma, defendeu em seu ensaio “Por um cinema impuro” que o cinema evolui justamente por dialogar com outras artes. Expandindo essa ideia para os games, é possível pensar que boas adaptações não devem apenas copiar o material original, mas reinterpretá-lo dentro de sua linguagem.


Nos últimos anos, adaptações de jogos têm se tornado cada vez mais frequentes, e a indústria tem aprendido a valorizar mais o material de origem. A franquia Sonic é um bom exemplo: à medida que passou a respeitar mais o universo dos jogos, seus filmes melhoraram. Em Super Mario Galaxy – O Filme, há respeito e fidelidade ao material original, mas isso não deveria significar mera reprodução. Em outro texto, “Le cinéma comme digest”, Bazin discute como adaptações podem simplificar obras, mas também democratizá-las. Ou seja, esses filmes precisam funcionar tanto para fãs quanto para novos públicos.


O ideal seria traduzir a linguagem dos jogos para o cinema de forma criativa, como acontece, por exemplo, nas sequências em que os obstáculos criados por Bowser e Bowser Jr. remetem diretamente às fases dos games, mas são reinterpretados dentro da lógica narrativa do filme. São momentos interessantes, que mostram o potencial que a obra poderia ter explorado mais.


Super Mario Galaxy filme
Créditos da imagem: Illumination/Nintendo

Mas o filme não tem qualidades? Claro que tem. Sua parte técnica é inegável: a animação em 3D é excepcional, desde a modelagem dos personagens até os detalhes de textura. Além disso, o filme diverte, arranca risadas e possui referências interessantes.


O problema é que, no fim das contas, ele se comporta como mais uma sequência típica da Illumination, voltada prioritariamente ao lucro (como já se vê em Meu Malvado Favorito), desperdiçando a oportunidade de se reinventar como adaptação e de construir uma narrativa realmente envolvente. Se os próximos filmes seguirem esse caminho, a franquia pode até continuar rendendo algumas boas moedas, mas fará o seu potencial criativo descer pelo cano.


Para quem só se importa com números:

Nota- 5/10.


Ficha técnica:

Título Original: The Super Mario Galaxy Movie

País de Origem: Estados Unidos e Japão

Roteiro: Matthew Fogel (baseado em criação de Shigeru Miyamoto)

Direção:  Aaron Horvath, Michael Jelenic, Pierre Leduc, Fabien Polack

Classificação: 6 anos

Duração: 98 min.


Elenco:

Brie Larson

Virginia Dare Jelenic

Benny Safdie

Kevin Michael Richardson

Chris Pratt

Charlie Day

Donald Glover

Keegan-Michael Key

Anya Taylor-Joy

Eric Bauza

Jack Black

Roxana Ortega

Luis Guzmán

Issa Rae

Ed Skudder

Glen Powell

Juliet Jelenic


Versão Brasileira:

Estúdio de Dublagem: Delart

Com as vozes de:

Aline Ghezzi

Charles Emmanuel

Ricardo Juarez

Raphael Rossatto

Manolo Rey

Eduardo Drummond

Carina Eiras

Marcio Dondi

Flavia Fontenelle

Anderson Coutinho

Sarito Rodrigues

Nano Max

Felipe Drummond

Monique Filardy

bottom of page